sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sanctuary, um grande mangá seinen!



Infelizmente nós perdemos muita coisa boa que deixa de vir do Japão. Geralmente os mangás que aparecem por aqui são essencialmente comerciais, o que muitas vezes acaba afastando o público adulto e alimentando as guerrinhas entre fãs de Comix e Mangá.

Não me levem a mal, eu adoro obras shounen como Yu Yu Hakusho e Dragon Ball, mas me enche o saco ver aqueles mangás de com garotinhas mágicas e outros tipos personagens genéricos empilhados nas prateleiras de praticamente toda banca de jornal que eu passo em frente.

Para minha e acredito que sua sorte também, as vezes essa regra é quebrada quando um bom produto faz muito sucesso, e acabamos recebendo algumas obras-primas em formato mangá.

É sobre uma delas que escreverei.

Vou logo começar dizendo que o roteiro foi escrito pelo mesmo roteirista de Hokuto No Ken, mangá que é  conhecido aqui como O Guerreiro da Estrela Polar. Em Sanctuary ele adotou o pseudônimo de Sho Fumimura. ( Se você não conhece Hokuto No Ken, recomendarei um link que te levará para um ótimo artigo sobre o mesmo.) Já o ilustrador é nada mais nada menos que Ryoichi Ikegami, o mesmo que trabalhou em Crying Freeman.

Minha nossa, com uma combinação dessas é praticamente impossível um mangá não ser ótimo!



O roteiro é um thriller político e policial que conta a estória de dois amigos de infância, Akira Hojo e Chiaki Asami. Os dois são sobreviventes do Camboja, e por terem sofrido diversas provações ao longo da vida eles desenvolveram agressão e instinto de sobrevivência inigualáveis. Ambos são muito leais um com o outro e sempre estão dispostos a qualquer coisa para alcançar o seu objetivo final comum: Fazer do Japão o seu próprio santuário.

A inspiração dos companheiros aconteceu logo quando eles chegaram no Japão. Eles ficaram impressionados com a comodidade e fultilidade da vida no país, e então decidiram criar um novo paradigma de vida no Japão. No entanto, os dois amigos tomaram dois caminhos completamente diferentes. Em um jogo de Pedra, papel e tesoura Akira Hojo acaba ficando com o caminho da máfia japonesa (Yakusa) deixando Chiaki Asami encarregado de ousadamente estrear em um sistema politico que privatiza os mais velhos e retém as forças jovens.

É um roteiro até simples, mas que tem uma premissa muito especial que faz diversas críticas a maneira que o Japão evoluiu, a política japonesa e a comodidade de seu povo. A história evolui de maneira fluida e divertida, principalmente por conta de seus personagens que são ótimos. 




Akira Hojo é uma pessoa muito inteligente e persuasiva, que começa como um membro da máfia comum, até se tornar líder da Aliança Sagara da Yakusa. Apesar de ser um mafioso, a história o coloca como um protagonista anti-herói, que tem motivações própias mas que nos cativa em sua filosofia.



Chiaki Asami é um dos dois protagonistas da história e tem uma força de vontade típica de um político ambicioso. Sua ousadia cativante faz com ele se torne um políticos mais jovens do japão, contrariando a tendência manipulada da faixa etária dos políticos japoneses.




Kyoko Ishihara é uma policial muito jovem e determinada, que se esforça para cumprir seu trabalho com honra. Apesar disso, a partir do ponto em que ela começa a demonstrar uma paixão por Akira Hojo a história nos revela que ela é insegura quanto seus sentimentos amorosos. Com o tempo ela passa a manter fotos de Hojo em sua casa, e acaba tendo algumas fantasias eroticas com ele.  Mesmo sendo uma policial, ela adiquire um relacionamento com mafioso Hojo conhecendo suas determinações e objetivos.


Tokai é um membro da Yakusa da mesma aliança de Hojo, apesar de sua personalidade forte e extrema estupidez, ele é muito fiel ao seu chefe e tem uma relação de amizade com Hojo.



Tashiro é um jovem assistente de Hojo, ele e sua mulher são extremamente gratos a Hojo por este ter salvado a vida de seu filho pagando uma cara operação médica que seu filho precisava quando recém-nascido.



Sanctuary foi um best-seller no Japão, e também fez muito sucesso ao redor do mundo. A prova disso é que tivemos um OVA em animação japonesa, e também um filme Live Action que foi dirigido por Yukio Fuji.
 Esta obra-prima foi publicada no Brasil há algum tempo pela Editora Conrad, se você ainda não leu, não espere mais nem um minuto, garanto que você não vai se arrepender!